Hamina e outros contos #4

mamana fanisseOgni settimana un racconto tradotto da “Hamina e outros contos” di José João Craveirinha. La raccolta, pubblicata nel 1998, ma i cui testi sono sparsi nelle riviste con cui l’autore collaborò tra il 1955 e gli anni ’60, racchiude l’essenza dell’opera craveirinhica e della letteratura mozambicana dell’epoca, unione di neorealismo e nuova mitologia, rivendicazioni sociali e culturali, lingua portoghese e incursioni africane della sua lingua-madre.

MAMANA FANISSE

Ela acordava de madrugada, pegava na cesta grande e seguia a caminho da machamba, perto da barraca lá nas Lagoas.
Fanisse trabalhava a terra, curvada, os grandes seios suspensos como papaias, Sonto às costas ou escarranchado na ilharga, a mamar. E nunca palavras que fossem de raiva contra a sua vida de mulher e nunca seu corpo rendido ao peso do chicomo nas mãos calejadas.
Muitas vezes cantava, a voz dolente, meiga, onde se descobria bem no fundo a alegria de queixar-se através das canções da sua velha raça. E a sua voz pelos campos era uma súplica aberta que o barulho dos motores dos pássaros dos mulungos abafava pela Malavane toda. Pássaros voando com gente lá dentro. Xi!
Mamana negra cavava, cavava e a cada golpe do chicomo a terra escura abria-se em largas feridas generosas. Machamba dava mandioca, milho, m’boa que todos comiam. O resto vendiam.
Todas as manhãs ia ao Xipamanine, o grande cesto à cabeça e o pequeno fardo vivo pendurado nas costas: Sonto. Sentada no lugar do costume – senha ya xicudo –, estendia numa velha saca no chão duro a cacana com pequeninos frutos vermelhos por dentro, molhos de feijão landim em vagem e montinhos de quinhenta de amendoim ou escudo de tomate.
Assim vivia Mamana com sue milho, a sua mandioca, o seu amendoim e a sua m’boa. Estava ali o seu problema.
Xicudo ni quinhenta! – sua voz cantava preços no bazar.
Com seu chicomo e a sua machamba e, como um fruto mais precioso, Sonto nas costas, Mamana vivia lá no fundo das Lagoas ao pé do «Vieira».
Xicudo ni quinhenta, era na vida.
Manhãzinha Mamana está na machamba.
Lá ao fundo, a massa verde dos eucaliptos tapa o horizonte como uma cortina rumorejante ao vento.
Os pés dela, descalços e encharcados do capim molhado, pegam a areia, deixam marcas no carreiro.
Capim e missava molhados de cacimba.
Visto de longe, é bonito o capim e as ramas de amendoim e da batata-doce, cobertos da humidade da noite invernosa de África.
As longas folhas do milheiral ao peso da cacimba, pendem as pontas para o chão como azagaias vergadas.
E tudo na manhã fria está branco. Campo semeado de verde com sumaúma por cima é a machamba inteira.
De longe é bonito, mas Mamana sabe. Ela poderia dizer se não fosse criança crescida qual é a beleza da machamba na madrugada cinzenta, o hálito húmido e impiedoso da cacimba branca, estendido como uma imensa capulana sobre os dois palmos de terra cultivada.
Ali, com Mamana, está Sambeca, que colimou lado a lado, palmo a palmo, o chão preto das Lagoas.
Mamana Sambeca leva as mãos à cabeça, compõe o lenço de ramagens vivas, vira-se para a sua companheira Fanisse, o cabo do chicomo entalado entre os joelhos, cospe nas mãos, e interroga, num ligeiro arrastar da doce língua nativa, na voz cantante:
– Mamana uá Sonto, dizem que vai chegar um grande ôsi?
– Não sei – responde a Mamana dobrada para a terra, os seios pendentes.
Se vai chegar um ôsi como é que os homens da xipalapala não andaram ali a chamar, soprando com toda a força como os macambuzes, juntando o rebanho?
Depois, Mamana Sambeca volta a falar:
– Dizem que o ôsi vai acabar o mudende.
Agora a Fanisse está interessada. O quê, acabar mudende? Ajeita melhor o pequenino Sonto que dorme, a cabecinha escondida na espádua de Mamana. Junta as mãos e cospe. Está mais leve e já não sente o chão molhado e o ar cortante da madrugada.
E é cheia de esperança que nasce ela se abre em confidência: Tatana uá Sonto há-de chegar amanhã.
Depois elas calam-se cheias dos próprios pensamentos: Mudende! O Tatana do Sonto que vem do Jone. O lenço encarnado de 15$00 num monhê do Xipamanine. Uma manta para Sonto.
Fanisse não resiste e canta. Seu canto é um agradecimento ao mulungo que mata mudende.
Está fria, a cacimba até parece chuva, o sol quer desfazer as nuvens, e ela canta porque está contente. Tristeza e alegria fazem cantar a gente de coração.
Vai acabar o mudende e o pai do seu filho vai chegar das minas do Jone, com pondos na pussementa.
Ela canta na manhã que rompe.
Mas Mamana esqueceu que as alegrias podem ser efémeras.
Nessa manhã, no bazar, procuraram-na com uma carta. Estranhou. Era para ela aquela carta com as letras muito bonitas no meio de uma barra preta? Levantou-se, ajeitou o pequeno Sonto na anca e foi levar a carta ao mulungo Silva para que lesse para ela.
– Fanisse – leu o mumadge no envelope.
Fanisse era ela mesma, mas porquê tanto vagar quando todo o seu sangue esfriava de maus pressentimentos? No rosto escuro os olhos seguiam os movimentos do branco com uma ansiedade que se tornava de segundo a segundo em pés nus na areia a ferver.
Um pressentimento mau a penetrava e queimava.
Mulungo Silva rasgou o envelope, començou a ler.
Leu, olhou Fanisse, a Mamana que vendia no bazar as coisas da machamba, e voltou a ler.
Depois Fanisse ouviu a voz fria do mulungo dizer:
– Morreu um homem chamado Matolo, lá na mina…
Mamana Fanisse ouviu tudo e era como se lhe furassem os ouvidos com um pau em brasa.
Estendeu a mão rude, de palmas calejadas pelo cabo do chicomo, e pegou na carta. Fitou com olhos arregalados aquelas coisinhas pequeninas no papel, que podiam matar um homem forte como o pai de Sonto.
Aquelas coisinhas pretas, muito alinhadas, que ela, na sua alucinação, via crescer fantasticamente para saltarem sobre o seu Matolo, talvez amarrado de pés e mãos para se não poder defender. A saltarem sobre o seu homem amarrado e a sugar-lhe o sangue até o deixarem morto.
«Matolo à filé!» crescia dentro da sua cabeça com um velho lenço às riscas. À tardinha, a caminho da sua barranca, a Mamana não acreditava ainda no tamanho da sua desgraça.
E se fosse mentira? Aquelas coisinhas pretas no papel podiam ser bichos de mentira de Mamana Xtimela, que não gostava dela.
E lá foi, o Sonto nas costas, pelos trilhos abertos por todos os pés descalços de todos os habitantes do Xipamanine e Mavalane.
Seus pés levavam-na, guiados pelo instinto, e amarrotada na mão de dedos rijos de trabalho ela apertava a carta que tinha mudado dum momento para o outro o curso da sua vida.
E na ânsia de querer que tudo não fosse verdade, Fanisse quase via as coisinhas pretas de papel mexerem-se do lugar para mudarem de sentido.
Foi quando, quase a chegar à sua casinha de caniço, um homem a fez parar: brutalmente.
As ideias baralharam-se na cabeça de Mamana de Sonto: Mato o quinhenta de amendoim. Machamba. Ôsi. Mudende. Que confuçao na memória da negra do filho preso no corpo e ao seu destino!
E tudo lhe parecia um feitiço sem remédio de Mamana Xtimela.
E ergueu a voz – aquela voz que ninguém diria agora que também sabia cantar os coros lindos das canções nativas – para pedir, implorar, explicar por que é que não foi. Comprou uma manta por causa de Sonto cheio de frio de noite, as mãozinhas geladas quase sem poder mexer.
As mãos brutas empurram-na para a estrada.
Sonto acordou com o safanão e chorou alto.
O sol descia lá para Malanga e estava vermelho como uma bola de sangue.
Sonto chorava. O sol punha-se no poente das Malangas.
A machamba cobria-se de sombras e o verde das plantações escurecia a pouco e pouco. Tudo era feitiço da outra que tinha inveja dela.
Mamana Fanisse apertou mais ainda a carta e os pés tropeçaram no capim. Olhou à volta. Viu a barraquinha de caniço, as cinco chapas de zinco, o último brilho do sol dessa tarde incendiada de solidão.
Viu a machamba, as sombras a invadir já as folhas baixas do milho. Todo o suor derramado durante dias e dias, de manhã à noite, a espera ansiosa, chove-não-chove, cresce-não-cresce e o Sonto nas costas, a dormir ou a mamar com a boca ávida colada ao seio.
Tomou-a uma vontade, mas foi. Havia de voltar.
Pôs o filho de lado no quadril. Com o braço esquerdo rodeou o corpo seminu, debaixo da capulana de belekar, e voltando-se de repente caminhou.
Todos viam que ela era a mais forte, um amuleto estranho a conduzia com certeza.
Um mutóvana forte e misterioso: a carta.
O crespúsculo fez-se repentinamente noite cerrada. Os morcegos saíram piando dos telhados das casas de madeira e zinco.
A lua lá para a Polana não tardaria a subir. Nas Lagoas, as rãs enchiam a escuridão com o coaxar, e entre as ervas os grilos vingavam-se do silêncio do dia.
Uma grande coruja piou sobre uma figueira preta e os homens chegaram-se uns aos outros, amedrontados e supersticiosos, com as nongas inúteis contra o medo do xipocué.
Na noite das Lagoas vê-se uma sombra à porta de uma barraca: Mamana Fanisse voltou.
No chão da despensa Sonto dorme, num sono em que començou a despontar sonhos.
Lá fora, os gritos dos morcegos são almas de outro mundo pairando sobre a barraca da vida das Lagoas.
E o luar nasce, cobre o céu e ilumina o telhado das cinco chapas de zinco primeiro e depois a palhota toda.
Matolo morreu na mina e Mamana deixou chicomo e está na vida.
Cama velha é sua machamba agora. Às vezes ainda canta as cantigas fatalistas da raça, mas os vultos chegam cosidos com o escuro, as sombras juntam-se e a vida segue.
Um vínculo irmana o futuro, a Mamana e os vultos.
Xicudo ni quinhenta!
Cocuana Sambeca já tem mais uma história para contar aos seus netos, as mãos estendidas para o lume duma fogueira de capim seco: Karingana – wa Karingana? E as vozes à volta respondendo: Karingana.

MAMANA FANISSE

Si svegliava all’alba, afferrava la cesta grande e proseguiva in direzione della machamba, vicino alla baracca, là nel Lagoas.
Fanisse lavorava la terra, ricurva, i grandi seni sospesi come papaye, Sonto sulla schiena o a cavalcioni sul fianco, a poppare. E mai parole che fossero di rabbia contro la sua vita di donna e mai il suo corpo arreso al peso dello chicomo nelle mani callose.
Molte volte cantava, la voce sofferente, affettuosa, in cui si scopriva nel profondo l’allegria dello sfogarsi attraverso le canzoni della sua vecchia razza. E la sua voce tra i campi era una supplica aperta che il rumore dei motori dei passeri dei mulungos soffocava per tutta la Mavalane. Passeri che volano con la gente là dentro. Xi!
Mamana negra zappava, zappava e a ogni colpo dello chicomo la terra scura si apriva in larghe ferite fertili. La machamba dava manioca, mais, m’boa che tutti mangiavano. Il resto lo vendevano.
Tutte le mattine andava allo Xipamanine, il grande cesto in testa e il piccolo peso vivo fasciato sulla schiena: Sonto. Seduta al solito posto – senha ya xicudo –, stendeva su una vecchia borsa, sul pavimento duro, la cacana con piccoli frutti rossi all’interno, salse di fagioli landim e una montagnetta di cinquanta centesimi di arachidi o uno scudo di pomodori.
Così viveva Mamana col suo mais, la sua manioca, i suoi arachidi e la sua m’boa. Stava lì il suo problema.
Xicudo ni quinhenta! – la sua voce cantava prezzi nel bazar.
Col suo chicomo e la sua machamba e, come il frutto più prezioso, Sonto sulla schiena, Mamana viveva là in fondo al Lagoas ai piedi del «Vieira».
Xicudo ni quinhenta, era nella vita.
Di buon mattino Mamana è nella machamba.
Là in fondo, la massa verde di eucalipti copre l’orizzonte come una tenda che mormora al vento.
I suoi piedi, scalzi e bagnati dall’erba umida, prendono la sabbia, lasciano impronte nel sentiero.
Erba e terra bagnati di rugiada.
Visto da lontano, è carino il prato e gli arbusti di arachidi e di patata dolce, coperti dall’umidità della notte invernale dell’Africa.
Le lunghe foglie del granturco al peso della rugiada, fanno pendere le punte verso terra come zagaglie piegate.
E tutto nella mattina fredda è bianco. Campo seminato di verde con sumaúma in cima, questa è la machamba intera.
Da lontano è carino, ma Mamana lo sa. Lei potrebbe dire, se non fosse una bambina cresciuta, quale sia la bellezza della machamba nell’alba grigia, il respiro umido e impietoso della cacimba bianca, disteso come un’immensa capulana sopra le due spanne di terra coltivata.
Lì, con Mamana, c’è Sambeca, che ha lavorato lato per lato, spanna per spanna, il pavimento nero del Lagoas.
Mamana Sambeca porta le mani alla testa, compone il fazzoletto di fogliame fresco, si gira verso la sua compagna Fanisse, l’impugnatura dello chicomo stretta tra le ginocchia, sputa nelle mani, e domanda, con un leggero strascicamento della dolce lingua nativa, con una voce che canta:
– Mamana uá Sonto, dicono che arriverà un grande ôsi?
– Non so – risponde Mamana chinata sulla terra, i seni pendenti.
Se deve arrivare un ôsi com’è che gli uomini dello xipalapala non sono andati lì a chiamarle, agitandosi con tutta la forza come i macambuzes che riuniscono il gregge?
Quindi, Mamana Sambeca torna a parlare:
– Dicono che l’ôsi abolirà il mudende.
Ora Fanisse è interessata. Cosa, abolire il mudende? Sistema meglio il piccolo Sonto che dorme, la testolina nascosta nella spalla di Mamana. Unisce le mani e sputa. È più leggera e già non sente più il suolo bagnato e l’aria tagliente dell’alba.
Ed è piena di speranza che nasce, e si apre in confidenza: Tatana uá Sonto deve tornare domani.
Poi si abbassano piene dei propri pensieri: Mudende! Il Tatana di Sonto che viene da Jone. Il fazzoletto rosso da 15$00 da un venditore dello Xipamanine. Una coperta per Sonto.
Fanisse non resiste e canta. Il suo canto è un ringraziamento al mulungo che abolisce il mudende.
È fredda, la rugiada sembra addirittura pioggia, il sole vuole sciogliere le nuvole, e lei canta perché è contenta. Tristezza e allegria fanno cantare la gente di cuore.
Finirà il mudende e il padre di suo figlio tornerà dalle miniere di Jone, con pondos nella valigia.
Lei canta nella mattina che inizia.
Ma Mamana ha dimenticato che le allegrie possono essere effimere.
Quella mattina, nel bazar, la cercarono con una lettera. Si sorprese. Era per lei quella lettera con le parole molto carine in mezzo a una riga nera? Si alzò, sistemò il piccolo Sonto sull’anca e andò a portare la lettera al mulungo Silva perché la leggesse per lei.
– Fanisse – lesse il mumadge sulla busta.
Fanisse era proprio lei, ma perché tanta esitazione quando tutto il suo sangue gelava di cattivi presentimenti? Nel viso scuro gli occhi seguivano i movimenti del bianco con un’ansia che ogni secondo di più si trasformava in piedi nudi nella sabbia scottante.
Un cattivo presentimento la penetrava e bruciava.
Mulungo Silva strappò la busta, iniziò a leggere.
Lesse, guardò Fanisse, la Mamana che vendeva nel bazar le cose della machamba, e tornò a leggere.
Allora Fanisse ascoltò la voce fredda del mulungo che diceva:
– È morto un uomo chiamato Matolo, là nella miniera…
Mamana Fanisse sentì tutto ed era come se le perforassero le orecchie con un legno ardente.
Distese la mano rude, coi palmi callosi per il manico dello chicomo, e prese la lettera. Fissò con gli occhi spalancati quelle cosette piccoline nel foglio, che potevano uccidere un uomo forte come il padre di Sonto.
Quelle cosette nere, ben allineate, che lei, nella sua allucinazione, vedeva crescere fantasticamente e saltare sopra il suo Matolo, forse con i piedi e le mani legati da non potersi difendersi. Saltare sopra il suo uomo legato e succhiargli il sangue fino a lasciarlo morto.
«Matolo à filé» cresceva dentro la sua testa con un vecchio fazzoletto a righe. Al tramonto, tornando alla sua baracca, Mamana ancora non credeva alla grandezza della
sua disgrazia.
E se fosse una bugia? Quelle cosette nere nel foglio potevano essere germi di una bugia di Mamana Xtimela, a cui lei non piaceva.
E andò là, Sonto sulla schiena, per i sentieri aperti da tutti i piedi scalzi di tutti gli abitanti dello Xipamanine e Mavalane.
I suoi piedi la trasportavano, guidati dall’istinto, e stropicciata nella mano con le dita indurite dal lavoro, stringeva la lettera che aveva cambiato da un momento all’altro il corso della sua vita.
E nell’ansia di desiderare che tutto non fosse vero, Fanisse quasi vedeva le cosette nere di carta scambiarsi di posto per cambiare significato.
Fu quando era quasi arrivata alla sua casetta di canne, che un uomo la fece fermare: brutalmente.
Le idee si confusero nella testa della Mamana di Sonto: Mato, i cinquanta centesimi di arachidi. Machamba. Ôsi. Mudende. Che confusione nella memoria della negra col figlio legato al corpo e al suo destino!
E tutto le sembrava un sortilegio senza rimedio di Mamana Xtimela.
E alzò la voce – quella voce che nessuno direbbe ora che sapeva cantare anche i cori armoniosi dei canti nativi – per chiedere, implorare, spiegare per ciò che non fu. Comprò una coperta perché Sonto aveva molto freddo la notte, le manine gelate quasi da non poterle muovere.
Le mani brute la spingono verso la strada.
Sonto si svegliò con lo strattone e pianse forte.
Il sole scendeva là verso la Malanga ed era rosso come una palla di sangue.
Sonto piangeva. Il sole si disponeva a occidente delle Malangas.
La machamba si copriva di ombre e il verde delle piantagioni si oscurava poco a poco. Tutto era un sortilegio dell’altra che la invidiava.
Mamana Fanisse strinse ancora di più la lettera e i piedi scivolarono nell’erba. Guardò il cammino. Vide la piccola baracca di canne, le cinque lamiere di zinco, l’ultimo scintillio del sole di quella sera infiammata di solitudine.
Vide la machamba, le ombre invadere già le foglie basse del granturco. Tutto il sudore versato per giorni e giorni, dalla mattina alla sera, l’attesa ansiosa, piove-non-piove, cresce-non-cresce e Sonto sulla schiena, a dormire o a poppare con la bocca avida incollata al seno.
La prese una voglia, ma passò. Doveva tornare.
Poggiò il figlio di lato sul fianco. Con il braccio sinistro girò il corpo seminudo, sistemò il figlio sotto la capulana, e voltandosi d’improvviso camminò.
Tutti vedevano che lei era la più forte, di certo la guidava uno strano amuleto.
Un mutóvana forte e misterioso: la lettera.
Il crepuscolo si fece improvvisamente notte fonda. I pipistrelli uscirono stridendo dai tetti delle case di legno e zinco.
La luna, là verso la Polana, non doveva tardare a sorgere. Nel Lagoas le rane riempivano l’oscurità con il loro gracidare, e nell’erba i grilli si vendicavano del silenzio del giorno.
Una grande civetta stridì sopra un albero di fico nero e gli uomini si avvicinarono gli uni agli altri, spaventati e supertiziosi, con le nongas inutili contro la paura dello xipocué.
Nella notte del Lagoas si vede un’ombra alla porta di una baracca: Mamana Fanisse è tornata.
Nel pavimento della dispensa Sonto dorme, in un sonno in cui cominciò a intravedere sogni.
Là fuori, le grida dei pipistrelli sono anime di un altro mondo che fluttuano sopra la baracca della vita del Lagoas.
E il chiaro di luna nasce, copre il cielo e illumina prima il tetto delle cinque lamiere di zinco e poi la capanna intera.
Matolo è morto nella miniera e Mamana ha lasciato lo chicomo e resta nella vita.
Il vecchio letto è la sua machamba ora. A volte ancora canta le canzoni fatalistiche della razza, ma i volti si avvicinano cuciti con l’oscurità, le ombre si uniscono e la vita continua.
Un vincolo lega il futuro, Mamana e i volti.
Xicudo ni quinhenta!
Cocuana Sambeca ha già una storia in più da raccontare ai suoi nipoti, le mani distese verso la luce di un fuoco di erba secca: Karingana – wa Karingana? E le voci a turno rispondono: Karingana.

 

Traduzione di Chiara Crobu

 

GLOSSARIO

À filé: è morto.
Cacana: erba commestibile e medicinale.
Cacimba: rugiada, nebbia densa.
Capulana: tessuto, generalmente colorato e stampato, che tradizionalmente le donne mozambicane avvolgono in vita coprendo la parte inferiore del corpo.
Chicomo: zappa.
De belekar: mise, sistemò il figlio sulla schiena.
Karingana – wa Karingana?: formula equivalente al “C’era una volta” posta però in forma interrogativa a cui si risponde “Karingana”,cioè “Sì, c’era una volta”.
Lagoas: zona di Maputo
Landim: (nome) lingua indigena di Maputo, oggi chiamata “ronga”, della famiglia Bantu. (aggettivo) che riguarda la città di Lourenço Marques, attuale Maputo. In questo testo qualifica un tipo di fagiolini.
M’boa: pianta di cui si mangiano alcune parti.
Macambuzes: principianti, novellini.
Machamba: campo coltivato, piantagione.
Mavalane: quartiere della città di Maputo.
Missava: terra, suolo.
Monhê: commerciante arabo o asiatico.
Mudende: tassa pagata dalle donne.
Mulungo: europeo in generale.
Mumadge: europeo portoghese.
Mutóvana: amuleto.
Nongas: piccolo bastone.
Ôsi: personaggio importante, essere divino.
Polana: quartiere, zona di Maputo.
Pondos na pussementa: libbre nella valigia.
Quinhenta: cinquanta centesimi di scudo.
Senha ya xicudo: “segna uno scudo (moneta in uso)” per il posto occupato, in una sorta di conto di pagamento per l’occupazione dello spazio.
Sumaúma: Kapok, bambagia costituita dai peli lanosi che rivestono internamente la parete del frutto (capsula) di vari alberi tropicali.
Tatana: padre.
Uá Sonto: di Sonto.
Xi!: particella esclamativa.
Xicudo ni quinhenta: uno scudo e cinquanta centesimi.
Xipalapala: specie di corno/tromba di corno.
Xipamanine: importante mercato di Maputo.
Xipocué: fantasma.

Hamina e outros contos #1

Hamina e outros contos #2

Hamina e outros contos #3 

 

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